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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Conversas plausíveis

O que segue foi elaborado em outubro de 2007, embora o episódio ao qual se refira tenha alguma significação para mim devido às suas consequências, as circunstâncias mudaram completamente. De forma que compartilho tal texto somente por ser o primeiro de uma série de brincadeiras intituladas conversas plausíveis, nas quais me permito utilizar alguns diálogos (possivelmente fictícios, mas de toda forma sempre plausíveis) com meus amigos para refletir ou gracejar sobre algo. Pode ser que meus amigos não se reconheçam em minhas linhas, entretanto certamente compreenderão o papel de "boa consciência" que lhes reservo. Sem mais...


"Conversa fictícia entre amigos, mas perfeitamente plausível:

Ribeirão Preto, tarde de Domingo, calor infernal e um ar seco de arder os pulmões, afinal é agosto. Amigos dividem bebida barata e copos de água sentados em volta de uma mesa após almoço:

- Mas você...
- O que tem eu? Pergunto.
- Você não passa de um comedor de nuvens. Continua uma velha amiga.
- Isso aí é sacanagem... Só pode ser... Retruca outro.
- Quê? Vocês é que devem estar de sacanagem comigo... Afinal o que é que vocês esperavam? Santidade? Eu sou apenas humano, cazzo!
- Humano? Você é um merda de sonhador. Olhe para mim, você não vê eu transformar minhas dores cotidianas em tragédias como se eu fosse portadora de alguma maldição ancestral ou tivesse não sei que marca gravada por algum deus. Mas você... Você é burro.
- Exato minha cara, penso que nosso querido lunático está obcecado por não sei que beleza que ele vê. E ele somente... Ele vê poesia em tudo.
- Como é mesmo aquela história? Aposto que ela não entendeu a sua conversa sobre lagartixas listadas, não foi? Você não contou sobre o poema do Bandeira? Se eu não conhecesse você, eu acharia que aquilo não era mais que uma piada, sinceramente.
- Soa até engraçado: nosso amigo fascinado pela estranhesa de uma mulher. Seria cômico...
- Foda... Nem sei quantas vezes eu já disse à vocês que a minha vida parece uma piada de mau gosto. E embora eu esteja sorrindo amarelo agora, não significa que eu não encontre alguma graça em tudo isso. Afinal, o que posso fazer se aqueles olhos são para mim como um enigma? O que posso fazer além de sorrir enquanto penso em como decifrá-lo? É trágico sim mas é apaixonante, tal como um poema de Baudelaire...
- Baudelaire o caralho! Baudelaire o caralho! Você tá de sacanagem, você sabe que é não é tão simples, tampouco tão belo. No mundo real pessoas se machucam e você sabe que vai dar merda, você sabe... Exaspera-se meu amigo.
- Afinal de contas que espécie de canalha sonhador você pensa ser? Pergunta-me minha confidente.
- Sei lá... Um dos bons?

Assim voltamos aos nossos copos, cujo fundo permitem perceber a realidade um pouco menos mesquinha e tediosa."

Nota: E realmente deu merda...

Sandro Heleno Inácio Machado

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